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Lesões por esforço repetitivo (LER/DORT): quais os direitos dos bancários?

Mulher com sintomas de LER DORT
04, fev, 2026
5 min. de leitura

Aspectos jurídicos das lesões relacionadas ao trabalho no setor

As lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) representam um dos maiores desafios de saúde ocupacional no setor bancário, impactando milhares de profissionais anualmente devido à rotina intensa de digitação, uso de computadores e pressão por metas. Essas condições, reconhecidas como doenças relacionadas ao trabalho, podem levar a afastamentos prolongados e perdas financeiras se não forem devidamente gerenciadas.

Este conteúdo aborda o conceito de lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) no contexto bancário, assim como seus sintomas, direitos essenciais, mecanismos de estabilidade e o momento certo para consultar um advogado especialista.

O que é LER/DORT no contexto do trabalhador bancário?

As lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) são distúrbios musculoesqueléticos decorrentes de movimentos repetitivos, posturas inadequadas ou sobrecarga física prolongada, afetando tendões, músculos e nervos. No ambiente bancário, essas lesões surgem tipicamente de tarefas como processamento de dados, atendimento ao cliente via teclado e manipulação de documentos, agravadas por jornadas extensas e metas produtivas.

De acordo com a Norma Regulamentadora 17 (NR-17) do Ministério do Trabalho, as lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) são classificadas como doenças ocupacionais quando comprovadamente ligadas às condições laborais, obrigando o empregador a implementar medidas preventivas como pausas ergonômicas e mobiliário adaptado.

Para o trabalhador bancário, o reconhecimento de lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) como acidente de trabalho permite acesso a benefícios previdenciários e indenizações, transformando uma afecção física em uma questão jurídica de proteção ao emprego; afinal, lesões como essas respondem por até 30% dos afastamentos no setor, destacando a necessidade de vigilância constante.

Por que os bancários são mais propensos?

Os bancários enfrentam maior propensão a lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) devido a fatores específicos da profissão, incluindo:

  • Rotina sedentária com uso intensivo de computadores, levando a posturas fixas por horas;
  • Pressão por desempenho, resultando em redução de pausas e aumento de movimentos repetitivos;
  • Ambientes com ergonomia deficiente, como mesas inadequadas ou telas mal posicionadas;
  • Estresse psicológico, que agrava tensões musculares e contribui para o ciclo de lesões.

Reconhecer esses riscos é o primeiro passo para prevenir lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) e reivindicar melhorias que beneficiem os trabalhadores.

Sintomas das lesões por esforço repetitivo (LER/DORT)

Os sintomas das lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) surgem gradualmente, começando com desconfortos leves e evoluindo para limitações funcionais. No contexto bancário, sinais iniciais incluem dor nos punhos, dedos ou ombros após digitação prolongada, acompanhados de formigamento ou dormência nas mãos — comuns na síndrome do túnel do carpo. Com o avanço dos danos, também surgem:

  • Inchaço ou rigidez articular, dificultando tarefas simples como segurar um mouse;
  • Fadiga muscular crônica, com fraqueza que afeta a produtividade diária;
  • Dor irradiada para braços ou pescoço, agravada por movimentos repetitivos;
  • Distúrbios do sono e irritabilidade devido ao desconforto constante.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, esses sintomas afetam mais mulheres bancárias, possivelmente por diferenças anatômicas. Ignorar esses alertas pode levar à incapacidade temporária ou permanente, reforçando a importância de relatar ao empregador via Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).

Quais os principais direitos dos bancários com LER/DORT?

Bancários acometidos por lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) possuem direitos previstos na CLT, Lei de Benefícios Previdenciários e convenções coletivas do setor. As principais incluem:

  • Auxílio-doença acidentário pelo INSS, com pagamento integral nos primeiros 15 dias pelo banco e posterior benefício sem carência;
  • Estabilidade provisória de 12 meses após alta médica, impedindo demissão arbitrária;
  • Indenizações por danos morais e materiais, cobrindo tratamentos médicos, fisioterapia e perdas salariais;
  • Readequação do posto de trabalho, com ergonomia adaptada para retorno gradual.

A Convenção Coletiva dos Bancários garante ainda licenças remuneradas e programas de reabilitação. O advogado especialista em acidente de trabalho pode pleitear essas reparações judicialmente, especialmente em casos de negligência patronal.

Um ponto crucial, consolidado pela jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TST), é a aplicação da responsabilidade objetiva aos bancos nos casos de lesões por esforço repetitivo (LER/DORT). Isso significa que, por ser a atividade bancária considerada de risco ergonômico acentuado, o empregador tem o dever de indenizar independentemente da comprovação de culpa (negligência, imprudência ou imperícia).

Para que a responsabilidade seja configurada, basta que o bancário demonstre o dano (a lesão) e o nexo de causalidade (a relação entre a doença e o trabalho), com base na teoria do risco da atividade, prevista no artigo 927, parágrafo único, do Código Civil.

Como funciona a estabilidade do bancário por doença ocupacional?

A estabilidade por doença ocupacional, como lesões por esforço repetitivo (LER/DORT), assegura ao bancário proteção contra demissão imotivada por um ano após o retorno do afastamento, conforme Súmula 378 do TST. Ou seja, após a emissão da CAT e a perícia médica confirmando nexo causal com o trabalho, o INSS concede o auxílio-doença acidentário (código B-91). Durante o benefício, o contrato fica suspenso, mas, ao fim, inicia-se a estabilidade.

Se o banco descumprir, o trabalhador pode reintegrar-se via ação judicial com indenização substitutiva. Essa garantia visa reabilitação sem pressões, mas exige provas como laudos ergonômicos. Em negociações coletivas, sindicatos podem estender esse período, fortalecendo a proteção contra lesões por esforço repetitivo (LER/DORT).

Quando procurar um advogado especialista em direito bancário?

Procure um advogado especialista em direito bancário ao primeiro sinal de lesões por esforço repetitivo (LER/DORT), especialmente se o banco negar a CAT, atrasar adaptações ergonômicas ou ameaçar demissão durante afastamento. Outros momentos incluem:

  • Negativa de benefícios pelo INSS, demandando recurso administrativo ou judicial;
  • Necessidade de calcular indenizações por sequelas permanentes ou perda de capacidade laboral;
  • Disputas sobre nexo causal, em que perícias independentes provam a relação com o trabalho.

Agir cedo preserva prazos prescricionais (dois anos do conhecimento da lesão) e maximiza compensações.

Entre em contato e agende uma reunião com o escritório de advocacia Guimarães & Ruggiero Advogados.

 

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